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Quando a lousa embaça...

...a escola perde a graça. Se escapulir da sala de aula já é uma tentação para algumas crianças com visão perfeita, que dirá para aquelas que não enxergam com nitidez. A saúde dos olhos é o primeiro passo para um boletim nota 10

por PAULA DESGUALDO design LETÍCIA RAPOSO fotos OMAR PAIXÃO

Giovanni Zanarella Ferreira,7 anos, está animado com a chegada de seus óculos novos, de armação marrom. Antes da estreia no mundo de lentes e hastes, em julho de 2007, não havia acordo que o mantivesse sentado na carteira da escola. “Eu ia brincar fora da sala o tempo todo”, conta esse pequeno paulista de Amparo, no interior do estado. Além de torná-lo, digamos, famoso no colégio, a inquietação despertou uma suspeita: a de que ele fosse uma criança hiperativa. “Nós o levamos a vários médicos, inclusive ao neurologista”, lembra a mãe, a funcionária pública Heloisa. E o mistério só foi desvendado em uma consulta de rotina no oftalmologista. O problema? Quatro graus de astigmatismo. Isso significava que os livros, os colegas e a professora não passavam de um grande borrão. Daí tanto desinteresse.

Casos como o de Giovanni não são raros. “Estima-se que de 10 a 15% das crianças em idade escolar apresentam problemas oculares que podem influenciar o desempenho acadêmico”, ressalta Mitchell Scheiman, especialista em optometria, da Faculdade de Optometria da Pensilvânia, nos Estados Unidos — essa área da saúde também estuda o desenvolvimento visual. Muitas vezes, os próprios professores notam que algo não vai bem e sugerem uma visita ao médico. “Eles são ótimos para fazer essa triagem, porque conhecem bem as crianças e acompanham o seu desenvolvimento”, diz a oftalmologista Maria Elizabeth Mota, de Itu, no interior de São Paulo.

Um olhar cuidadoso sobre o comportamento da garotada pode denunciar até mesmo distúrbios que se escondem por trás de uma visão supostamente saudável. “Um míope costuma se aproximar muito da televisão, reclamar de dor de cabeça e evitar brincadeiras ao ar livre”, exemplifica Leôncio Queiroz Neto, oftalmologista do Instituto Penido Burnier, em Campinas, no interior paulista. Já o hipermétrope, que tem dificuldades para enxergar de perto, prefere justamente as atividades em lugares abertos. “É importante observar esses sintomas porque a criança não sabe informar se está enxergando bem ou não”, aconselha Leôncio.


Giovanni, de 7 anos, se tornou popular na escola porque não conseguia parar quieto dentro da sala de aula. “Por isso repeti o ano”, diz, sem cerimônia
 
 
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