Dieta dos pontos Leia, use, aprenda a comer de tudo e emagreça de vez (com muito prazer!)
Se você adora encher seu animal de guloseimas, é no final do ano que as tentações triplicam. Você visita a pet shop para comprar ração e encontra de panetones a muffins e pirulitos natalinos, passando por mortadela, patês, bombons, wafers, cookies e até refrigerante com ares de festa. Essa ceia, comprada com carinho pelos donos, pode estar por trás de um aumento de cerca de 50% na procura por hospitais veterinários bem nesta época do ano. A principal queixa? Gastroenterite, uma intoxicação do aparelho digestivo provocada por esses quitutes caninos ou por restos de peru, de tender...
Empanturrado e completamente fora da rotina, o bicho pode apresentar vômitos e diarréia, acabando desnutrido e desidratado. “Qualquer alimento que substitui a ração interfere na sua flora intestinal”, explica a veterinária especialista em nutrição animal Carla Balzano de Mattos, da Universidade Metodista de São Paulo. “O intestino não está preparado para receber petiscos.” As raças mais sensíveis ao problema podem sofrer com sangramentos e outros sintomas desagradáveis. O fato é que essas guloseimas, em geral, exageram na gordura — ingrediente que, justamente, dá muito sabor. Por isso mesmo, a parcimônia com esses mimos deve ser constante — de janeiro a janeiro, e não só em tempos de Natal. Caso contrário, ora, se o cachorro não tiver náuseas e outras encrencas digestivas, ele no mínimo acabará gordo. E a obesidade, vale lembrar, pode desencadear diabete e até mesmo problemas no coração do seu amigo.
“O desafio para o dono é que ele se sente refém daquela cara de pidão”, observa a veterinária Fernanda Fragata, diretora do Hospital Veterinário Sena Madureira. “Então cede e dá o belisco, que pode não ter valor nutricional algum.” Segundo a especialista, se o hábito não for cortado rápido, até mesmo o veterinário precisará entrar na história. “É que a tendência é o bicho preferir guloseimas e se recusar a comer ração. Aí, terá de passar por uma reeducação alimentar, com uma dieta muito rigorosa.”
O veterinário Rubem Montoni Junior, do Instituto Brasileiro de Diagnóstico e Especialidades Veterinárias, o Provet, em São Paulo, lembra que alguns petiscos ajudam a prevenir o tártaro nos dentes. “Mas até mesmo esses produtos precisam da orientação do especialista responsável pela saúde do cachorro”, diz. “Ele é que indicará o tipo, a porção e a freqüência das guloseimas antitártaro para não desequilibrar a dieta.” Portanto, na dúvida, é melhor não sair oferecendo aquele biscoito de chocolate ao seu amigão.

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