Dieta dos pontos Leia, use, aprenda a comer de tudo e emagreça de vez (com muito prazer!)
Eles são assíduos freqüentadores da farmacinha caseira de quem tem filhos. E são rapidamente sacados de lá à menor queixa de dor ou nos casos de uma febrícula à toa. O tombo provocou inchaço? Dá-lhe antiinflamatório. A garganta incomoda? Lá vai outra dose. Pudera. Nem se exige receita médica para alguém sair da farmácia de posse de uma dessas drogas curinga, quase uma panacéia para as mazelas infantis. “Lamentavelmente, os antiinflamatórios vêm sendo usados de forma abusiva, errada e sem critério”, afirma Roberto Tozzi, pediatra do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo.
“Sangramento gastrointestinal, toxicidade para os rins e o fígado, além de alergia, são os principais riscos do mau uso”, enumera Sandra Oliveira Campos, pediatra da Universidade Federal de São Paulo, a Unifesp. “E, quando o fígado ou os rins são afetados, pode haver desde uma alteração transitória de seu funcionamento até lesões graves.” Tudo bem, você pode até imaginar que é preciso dar muito antiinflamatório para que a situação chegue a esse ponto. Mas há outra ameaça, esta bem mais corriqueira. A de mascarar doenças sérias, deixando que evoluam — e aí o atendimento médico entra na história mais tarde do que deveria.
Essa classe de medicamento não atua na raiz dos males que acometem a criança. Seu papel é minimizar o mal-estar que eles provocam. Afinal, inflamação nunca foi sinônimo de infecção. Esta ocorre quando algum microorganismo nocivo contamina o corpo. Já a inflamação é a reação orgânica a alguma agressão, seja ela um trauma — como uma bela pancada —, seja ela a presença de um invasor, que pode ser um vírus, uma bactéria ou até mesmo um corpo estranho, como um espinho fincado na pele.
Em qualquer uma dessas situações, as células do sistema imunológico são convocadas para dar cabo do responsável pelos danos. Para que cheguem depressa, o fluxo de sangue aumenta na região problemática. Por isso mesmo, ela fica avermelhada e ligeiramente mais quente do que o restante do corpo. Então começam as batalhas e, nelas, o organismo usa armas como as moléculas de prostaglandina, que disparam dor e febre. A maioria dos antiinflamatórios inibe justamente essa produção de prostaglandinas no local. Por isso, agem como analgésicos e antitérmicos.

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