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Medicina MATÉRIA

Um nocaute nos mitos da Medicina

por FÁBIO DE OLIVEIRA

A médica americana Nancy L. Snyderman tem uma missão: torpedear as falácias médicas que vez ou outra pululam no imaginário popular. A especialista, que é editora-chefe de saúde da NBC News, também mergulhou numa série de estudos para mostrar o que há de comprovadamente científico em um mundo em que as informações, verdadeiras ou não, circulam de forma desenfreada.

O resultado dessa empreitada é o best seller Medical Myths that Can Kill You and The 101 Thruths that Will Save, Extend, and Improve Your Life (Mitos Médicos que Podem Matar Você e As 101 Verdades que Vão Salvá-lo, Estender e Melhorar sua Vida). Confira abaixo alguns mitos que não saem incólumes da mira certeira de Nancy:

1. Checkups anuais são algo obsoleto
Falso. De acordo com Nancy, esse mito veio à tona devido aos crescentes custos dos testes cada vez mais avançados. Daí, os médicos começaram a questionar se pessoas saudáveis precisavam mesmo de uma avaliação anual. Os checkups, no entanto, são uma forma de prevenir ou detectar uma doença em estágio inicial e isso permite um tratamento mais eficiente e, claro, salvar muitas vidas.

2. Vacina é coisa de criança
A autora confessa: até mesmo ela acreditava nesse mito. Nancy mudou de opinião quando foi cobrir a história do estudante universitário Evan Bozof. Ele contraiu um dos piores tipos de meningite, a meningocócica. Essa infecção bacteriana inflama as finíssimas membranas que envolvem o cérebro e medula espinhal. Suas conseqüências são devastadoras: danos neurológicos, perda de audição e até morte. A imunização contra o problema é capaz de prevenir tamanho suplício.

3. Derrame e infarto são males de velho
Não é bem assim. Esse mito ganhou força porque até há pouco tempo as pesquisas sobre esses problemas de saúde eram realizadas com homens de meia-idade. Apesar de a quantidade de velinhas apagadas ao longo da vida contar muito nesses casos, não se pode, como escreve Nancy, negligenciar fatores como colesterol alto, diabete, pressão arterial elevada, estresse, sedentarismo, histórico familiar de doença cardíaca e obesidade.

4. Estamos perdendo a guerra contra o câncer
Para começo de conversa, esclarece Nancy L. Snyderman, a palavra câncer designa centenas de doenças, e não uma enfermidade única. E a batalha contra os tumores não está perdida. Muito pelo contrário. Ela está sendo vencida em vários frontes graças ao acúmulo de conhecimento em áreas como tratamento, prevenção e diagnóstico.

5. Os médicos não são preconceituosos
Infelizmente, são, sim. Nos Estados Unidos, por exemplo, muitas mulheres não são diagnosticadas com problemas cardíacos porque os profissionais de saúde ainda crêem que essa doença é uma exclusividade do sexo masculino.

6. O que é natural é sempre seguro
Muita gente acredita que remédios provenientes da natureza, como ervas e afins, não apresentam nenhum risco ou efeitos colaterais mínimos. Nem sempre é assim. Nancy cita o exemplo do tabaco. Ele é natural, mas não deixa de ser um assassino que mata aos poucos.

7. Sair de uma depressão é fácil
Estados de tristeza sem fim ou de ansiedade não são vistos como doenças por alguns indivíduos um baita erro. Os problemas de ordem mental merecem atenção e ninguém deve ser considerado um fraco por ter de tomar antidepressivos, por exemplo.

 
 
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