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1. Afinal, o que é a doença?
Trata-se da destruição progressiva dos neurônios. A devastação começa no hipocampo, a área onde se processa a memória e, com o tempo, se alastra por outros cantos do cérebro. Por isso, ficam comprometidas funções cognitivas essenciais, como a gravação das lembranças e a orientação do indivíduo no tempo e no espaço.
“São dois os mecanismos por trás da doença”, diz Paulo Caramelli, coordenador do Departamento de Neurologia Cognitiva e do Envelhecimento da Academia Brasileira de Neurologia. “O primeiro é a formação das placas betaamilóides.” Como elas aparecem? Explicamos: normalmente existem no cérebro proteínas precursoras de outro tipo de proteína, a tal betaamilóide. “Elas ficam ancoradas nas membranas dos neurônios, mas ainda não se sabe ao certo qual a sua função”, conta Caramelli.
Num processo natural, essas proteínas são quebradas por enzimas e os seus fragmentos perdem-se em meio às células — nada disso, diga-se, oferece risco à cachola. O problema é quando, por motivos ainda obscuros, outras enzimas entram em ação para dividir as precursoras de betaamilóide. Elas quebram essas proteínas no lugar errado e o resultado dessa interação mal feita são novas proteínas. “Só que elas não são mais inócuas. Ao contrário, tornam-se tóxicas”, afirma Caramelli. Essas novas moléculas, por sua vez, passam a depositar-se no cérebro, formando verdadeiras placas. “E isso prejudica as sinapses, a comunicação entre um neurônio e outro, o que os torna mais limitados”, explica o neurologista. Resultado: as células nervosas morrem.
As explicações não param por aqui. Lembra-se do que dissemos? Existem duas alterações que disparam o Alzheimer. Vamos à segunda: um problema com outra proteína, a Tau. “Ela é produzida naturalmente no cérebro e é fundamental para o transporte de substâncias entre as células”, descreve Caramelli. A Tau participa de uma verdadeira rede de comunicação e troca de nutrientes na massa cinzenta. “Mas, nos portadores de Alzheimer, essa proteína fica desestabilizada e não funciona como deveria. Daí, todo o equilíbrio entre os neurônios é prejudicado”, diz Caramelli.
Essa profusão de alterações microscópicas leva à falência e à morte das células nervosas. No começo, a principal vítima é a memória recente. Gradualmente, as lembranças mais antigas também se esfarelam. E, com o avanço do mal, o órgão que comanda o corpo acaba se aposentando.
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