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A luta contra a dengue nunca pareceu tão difícil. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que desde 2000, ou seja, em apenas sete anos, ao menos 1 milhão de pessoas em todo o planeta tenham sido infectadas com o vírus culpado pela doença. E nada menos do que a metade dessas vítimas desenvolveu a forma fatal, a chamada dengue hemorrágica.
Para tentar mudar o quadro, inúmeros grupos de cientistas mundo afora dedicam tempo, dinheiro e esforços na fabricação de uma vacina. Aliás, uma supervacina. A idéia é que ela dê cabo dos quatro subtipos a um só tempo.
O mal acomete sobretudo as populações de países quentes e onde existe pobreza, como o Brasil, entre outros da América do Sul, da África e da Ásia. E, por enquanto, não exibe sinais de trégua. O mosquito está tão adaptado aos ambientes doméstico e urbano que resiste a larvicidas e inseticidas e, no primeiro vôo, já é capaz de copular e infectar. A vacina é a esperança da ciência no controle da doença, explica Ada Maria Alves, do Laboratório de Imunopatologia da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro, uma das pesquisadoras brasileiras envolvidas nesse projeto.
Há pouco mais de dois meses, a Sanofi-Pasteur, divisão da companhia francesa Sanofi-Aventis, anunciou resultados positivos com sua vacina em seres humanos. Ela levou à produção de anticorpos contra os quatro sorotipos responsáveis pela dengue em 100% dos adultos que foram voluntários nos Estados Unidos, relata Jean Lang, diretor de vacinas endêmicas do laboratório europeu. Isso demonstra seu potencial de proteção.
O grande desafio e também a grande dificuldade é justamente fabricar um imunizante contra os quatro tipos do microorganismo. Quem é infectado por uma das variedades torna-se mais suscetível às outras linhagens e também ao dengue hemorrágico, justifica a cientista carioca. Ou seja, temos de criar uma vacina que proteja simultaneamente contra os quatro subtipos ou pouco adiantará. Os testes clínicos em larga escala da nova vacina devem começar em 2008. Esperamos submetê-la à apreciação das autoridades de saúde em 2012, revela Lang. Enquanto essa arma contra a doença não chega ao mercado, só resta uma saída: a prevenção.
O Brasil praticamente já tinha conseguido eliminar de seu território o mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti. A febre amarela urbana, transmitida pelo mesmo inseto, motivou uma gigantesca operação de guerra, que levou à sua eliminação em 1955, conta Ada Maria Alves, da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio. Mas, passado um tempo, infelizmente, houve um afrouxamento nas campanhas. Some-se a isso a expansão das favelas nos centros urbanos. Para piorar, países fronteiriços com o Brasil, caso da Venezuela, não aderiram à proposta da Organização Panamericana de Saúde (Opas) para o extermínio do inseto. Resultado: o Aedes, que já não era esperado, voltou a dar as caras. Hoje não é mais possível falar em erradicação do mosquito, lamenta Brunislava de Castro, coordenadora do Programa de Combate a Dengue da Prefeitura de São Paulo.

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