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Medicina MATÉRIA

O risco do implante

Por essas e por outras, é bom que se diga: a carga imediata não é para todos. “O cirurgião precisa perceber se o osso é adequado para receber esse tipo de tratamento”, diz o odontogeriatra Wellington Bonachela, membro da Academia Européia de Osseointegração. Mais: além de ter esse olhar experiente para antever problemas, ele precisa ser um profissional, digamos, sincero e avisar o paciente quando ele não apresenta estrutura óssea suficiente.

Até porque fixar depressa a prótese no parafuso de titânio — sem esperar pela osseointegração — é uma saída tão imediatista quanto cercada de polêmica. “Estudos acusam que se perdem até 25% dos implantes feitos com carga imediata”, avisa o implantodontista Luiz Alves de Lima, professor da Universidade de São Paulo e pesquisador do International Team for Implantology, uma das principais fundações de pesquisa na área.

Segundo o especialista, a carga imediata só tem sua eficácia comprovada em casos específicos e, por isso, ainda precisa ser mais bem investigada. “Querendo ou não querendo, o osso sempre tem que se reconstituir e o implante de titânio, se integrar. Na carga imediata não há tempo para isso”, explica. Ou seja, a carga imediata é como se fosse uma aposta — uma aposta de risco caso o implante não fique muito firme. Então, ao ser exigido pela mastigação e outras pressões do dia-a-dia, ele poderá se mover ali dentro. Por mais sutil que seja o movimento, perde-se todo o trabalho.

O que fazer então? “A decisão final é do paciente. Mas ele deve ser avisado dessas eventualidades”, salienta Luiz Alves de Lima. Para quem prefere não arriscar, a espera para plugar a prótese no titânio é de, no máximo, seis semanas. “Hoje a tecnologia dos materiais acelera o processo de osseointegração”, explica o especialista. Para não ver toda a construção ruir, o ideal é contratar um “engenheiro” extremamente capacitado e que lhe apresente todos os prós e os contras de cada técnica de implante. E então — só então — deixá-lo pôr mãos à obra.

 
 
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