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Medicina MATÉRIA

Pneumonia e tuberculose: negligência

Pulmões em estado de alerta
Quando a temperatura cai, sobe o número de vítimas da pneumonia, um mal ainda não sob controle

por Vanessa de Sá | design Robson Quinafélix | fotos Gustavo Arrais

A pneumonia ainda não ganhou o respeito que merece. Essa é a frase que Orin Levine, pesquisador da Escola de Saúde Pública da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, tem na ponta da língua quando começa a falar da doença. Líder do esforço mundial por fundos para a pesquisa de vacinas, Levine lamenta que ainda persista a idéia de que se trata apenas de uma ameaça aos idosos. Segundo ele, isso ajudou a jogar a pneumonia para segundo plano. A verdade é que muita gente não se dá conta de que esse é um problema de saúde global, lamenta.

Em todo o planeta, a inflamação pulmonar é uma das principais causas de morte de idosos e crianças são 2 milhões de pequenas vítimas a cada ano. Só no Brasil, 2,64 milhões de pessoas foram internadas por causa dela nos últimos três anos. A população mundial está envelhecendo, o que certamente levará ao aumento explosivo de casos. "Além disso, os agentes do mal estão ficando muito resistentes e isso torna o tratamento cada vez mais difícil", explica Keith Klugman, professor de Saúde Global da Universidade Emory, também nos Estados Unidos.

Há quem diga que a pneumonia não é uma única doença, e sim várias. Os inúmeros agentes que ocasionam a inflamação dos pulmões, a dificuldade de descobrir qual deles levou ao mal e a crescente resistência aos antibióticos são hoje os grandes desafios da Medicina frente à encrenca. Diagnosticar os sintomas é fácil. "O difícil é saber qual microorganismo é o culpado", justifica Levine. Não há como coletar espécimes dos pulmões. Além disso, os testes feitos nas vias aéreas superiores e no sangue falham em quase metade dos episódios.

Para Peter Appelbaum, especialista americano em resistência a antibióticos da Pennsylvania State University, a grande dificuldade é tratar a pneumonia bacteriana. "Além do pneumococo, uma série de outras bactérias pode causar a doença. Por isso, a terapia com antibióticos muitas vezes é empírica para ser capaz de cobrir uma grande variedade de organismos", explica.

 
 
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