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Por mais contraditório que pareça, pesquisadores da Universidade de Bielefeld, na Alemanha, estão usando o cortisol — hormônio liberado aos montes no organismo nas horas de tensão — para aplacar os efeitos do estresse. Os cientistas aplicaram a alta dose de 30 mg da substância em 22 mulheres jovens e um placebo em outras 22. Ambos os grupos foram submetidos a uma situação estressante: participar de uma falsa entrevista de emprego.
Observadas por psicólogos e filmadas o tempo inteiro, as mocinhas tiveram de responder a questionários — antes e depois dessa prova — sobre seu estado de espírito no momento. O resultado: aquelas que receberam o hormônio na veia saíram-se melhor e não demonstraram a mesma irritabilidade que as outras. Como isso é possível? É o que os cientistas também querem saber. Mesmo que despertem a atenção, os dados obtidos pelos pesquisadores suecos são insuficientes para se afirmar que o estresse altera tão rapidamente a composição genética.
“Isso leva até milhões de anos”, pondera o psiquiatra Quirino Cordeiro, coordenador do Programa de Genética e Farmacogenética do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo. Na opinião do especialista, o que aconteceu com as galinhas foi uma espécie de seleção. “Entre elas provavelmente havia um grupo mais vulnerável a situações de tensão e seus descendentes tornaram-se ainda mais suscetíveis ao estresse”, argumenta. Controvérsias à parte, o que acontece entre alguns seres humanos predispostos a enervar-se é algo semelhante ao realizado na experiência.
A suscetibilidade expressa no DNA pode só dar as caras quando o estressadinho é surpreendido por um acontecimento ruim, como um assalto — e não ficar oscilando entre o claro e o escuro, como ocorreu com as galinhas. “É o caso do transtorno de estresse pós-traumático, em que, depois de passar por uma situação ameaçadora, o indivíduo pode, por exemplo, sonhar sempre com o acontecido e desenvolver algumas obsessões”, explica o psicólogo José Roberto Leite, coordenador da Unidade de Medicina Integrativa e Comportamental da Universidade Federal de São Paulo. Esse trauma pode ser sufocante a ponto de atrapalhar, e muito, a volta à vida normal. “E aí é necessário um acompanhamento terapêutico”, completa.
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