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Medicina MATÉRIA

A cirurgia de ponte: mais invasiva

por Fábio de Oliveira | design Giovanni Tinti | ilustrações Nik

2. CIRURGIA DE PONTE
Seu objetivo também é deseng arrafar a circulação no peito. No entanto, é uma estratégia mais radical. Veja por quê:

PRÓS
A sobrevida do indivíduo que se submete a uma operação dessas é altíssima. "Os resultados costumam ser muito bons quando a operação é realizada por cirurgiões qualificados e com enxertos de artérias mamárias ou radiais", revela Martino Martinelli. "Eles são superiores aos de veia safena porque os tecidos dessas artérias se assemelham aos vasos do coração", conta Ricardo Pavanello. Por fim, as cirurgias estão se tornando menos invasivas, sendo realizadas com sondas e até mesmo com braços robóticos, que fazem um corte mais preciso.

CONTRAS
Sem sobra de dúvida, o corpo inteiro se ressente na recuperação, até pelo imenso corte no peito. "O paciente fica internado no hospital de sete a dez dias depois de passar pelo bisturi", relata Luiz Francisco Cardoso. "E só pode retomar suas atividades depois de 60 dias." Além disso, com o tempo o enxerto que faz o desvio do local entupido também pode se fechar. O risco de acontecer um infarto ou outra complicação durante a cirurgia também existe.

UM POUCO DE HISTÓRIA
Um dos grandes expoentes das cirurgias do coração foi o brasileiro Euriclydes de Jesus Zerbini (1912/1993). Na contabilidade geral ele chegou a realizar 40 mil operações cardíacas. Zerbini foi um pioneiro. Nos primórdios do procedimento, a chamada era cega, não havia como enxergar o coração por dentro e localizar o ponto do entupimento. Por isso Zerbini e todos os seus contemporâneos enfiavam literalmente o dedo no órgão ou usavam uma lanceta na ponta da unha. A primeira operação de ponte de safena foi realizada nos Estados Unidos em 1967. Antes do seu surgimento boa parte dos pacientes com obstruções nas coronárias morria.

 
 
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