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Medicina MATÉRIA

Stent: quando o bloqueio é menor

por Fábio de Oliveira | design Giovanni Tinti | ilustrações Nik

1. STENT
Em geral é indicado quando uma única placa obstrui no máximo 70% do vaso,cujo calibre deve ter até 3 milímetros. Ou a chance de novos bloqueios aumenta

PRÓS
É um procedimento menos agressivo do que uma cirurgia de ponte. "Grande parte dos pacientes com infarto agudo do miocárdio recebe stents", diz o cardiologista Luiz Francisco Cardoso, do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. Os do tipo farmacológico liberam drogas imunossupressoras que impedem a proliferação celular no local em que o dispositivo foi implantado. Dessa forma evita-se uma nova obstrução, a chamada reestenose. Um indivíduo pode ter mais de um stent em suas artérias.

CONTRAS
Não é recomendado para tratar uma artéria com várias placas. "Uma delas pode se romper na hora agá, provocando um coágulo", afirma o cardiologista Martino Martinelli, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo. "Ele também não é indicado quando a obstrução está próxima de bifurcações da artéria", explica o cardiologista Eulógio Martinez, do Incor paulistano. Isso porque há o risco de o stent dilatar e lesionar o outro ramo arterial, sem falar na possibilidade de o próprio cateter que o transporta provocar um bloqueio. Por fim, pacientes com stents farmacológicos precisam tomar drogas para evitar a formação de coágulos por pelo menos seis meses por motivo de segurança.

 


O nome stent é uma homenagem ao dentista inglês Charles Stent (1807-1885), que contribuiu bastante para a tecnologia dos moldes dentários. "Os médicos americanos C. T. Dotter e M. P. Judkins descreveram o procedimento original de angioplastia em 1964", conta o cardiologista Ricardo Pavanello, do Hospital do Coração, em São Paulo. Em 1969 Dotter teve a idéia de criar uma prótese que seria colocada como um molde dentro do vaso para evitar o surgimento de novas obstruções — e então fez a homenagem ao dentista expert na arte de moldar.

UM STENT BIODEGRADÁVEL?
Sim, os cientistas estão em busca de stents biocompatíveis com os tecidos humanos. "Eles se agregariam às paredes do vaso, que aceitariam o stent como se fosse algo natural, diminuindo o risco de novos entupimentos", diz Martino Martinelli. É o caso do dispositivo apresentado pelo cardiologista holandês Patrick Serruys, da Universidade Erasmus, no encontro do American College. "Esse modelo de stent é feito de aminoácidos semi-sintéticos e recoberto com drogas que evitam a reestenose", explica Ricardo Pavanello. "Falta testá-lo em grandes populações."

 
 
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