Dieta dos pontos Leia, use, aprenda a comer de tudo e emagreça de vez (com muito prazer!)
CLA significa conjugated linoleic acid, ou, em bom português, ácido linoléico conjugado. Embora o nome remonte às aulas de química do colégio, esse combinado de gorduras está bem próximo de você. Em sua mesa do café da manhã há pelo menos um grande fornecedor desse ilustre ingrediente: o queijo.
Embora grande parte do sucesso desse composto ainda esteja restrito aos laboratórios, na Europa já é possível encontrar alimentos enriquecidos com CLA em gôndolas de supermercados — na Espanha tem até suco de laranja! O grande apelo para o consumidor é que esse agrupado de moléculas gordurosas — eis outra ironia — pode reduzir nossa massa gorda. Em um mundo cada vez mais rechonchudo, não dá para desprezar essa proeza.
Aqui no Brasil, um trabalho liderado pelo professor Admar Costa de Oliveira, da Universidade Estadual de Campinas, a Unicamp, mostra uma redução de 18% do tecido adiposo de ratos que receberam uma dieta enriquecida com CLA. Existem algumas hipóteses para justificar a façanha. “Ele é capaz de aumentar a produção de enzimas que atuam na eliminação de lipídios”, aposta a nutricionista Adriana Botelho, que faz parte da equipe de Admar. Dessa forma, sobraria menos gordura para ser armazenada. Experimentos apontam ainda para uma interferência do CLA nos níveis de leptina, hormônio que regula o apetite.
Outras pesquisas associam a substância ao combate de tumores. A cientista Denise D’Agostini, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo, conta que o CLA revelou boa atuação contra o câncer de mama. “Em cobaias alimentadas com CLA houve uma redução de cerca de 73% no tamanho do tumor”, relata. Parece que o tal composto inibiria as células cancerosas diretamente. Há ainda indícios de que colabore para evitar o infarto, já que é capaz de abaixar os níveis de LDL, o colesterol ruim. Vale frisar: evidências disso não faltam, mas o mecanismo de ação continua ignorado.
Outra parte pouco conhecida nessa história é a relação do excesso de CLA com danos à saúde. Existem suspeitas de que o consumo exagerado levaria à esteatose hepática, uma gordura ao redor do fígado capaz de conduzir essa glândula à falência. “Em excesso, também pode provocar um aumento de radicais livres na circulação, o que é prejudicial para todo o organismo”, observa a nutricionista Lília Zago, mais uma integrante do grupo de pesquisadores do CLA na Unicamp. Nem ela nem seus colegas pretendem jogar um balde de água fria nas boas descobertas sobre esse composto. O abuso é que é — como sempre — condenável.
Os estudiosos não perdem a oportunidade para dar um puxão de orelha na turma que anda se entupindo de suplementos, o que já é comum no Brasil, embora nem sequer exista aprovação de órgãos de saúde para a venda de cápsulas de CLA. As porções vindas dos alimentos, fique certo, continuam bem-vindas.

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