Dieta dos pontos Leia, use, aprenda a comer de tudo e emagreça de vez (com muito prazer!)
À primeira vista os estragos microscópicos são imperceptíveis — mas não deixam de ser importantes. Tudo começa com a mudança do pH da boca, que torna o simples friccionar das cerdas uma grande ameaça ao esmalte — mais tarde, se o hábito persiste, a dentina, que é uma camada mais interna, também será atingida. O resultado é a chamada erosão dentária — irreversível, é bom frisar. Mais do que um mero problema estético, o processo torna a dentição ultra-sensível, provocando dores por qualquer bobagem.
Nada disso acontece, porém, quando a higiene aguarda o serviço da saliva. "Ela se encarrega de recuperar o pH normal da boca", explica o dentista Roberto Macedo, de São Paulo, endossando um trabalho realizado na Universidade de Bristol, na Inglaterra. Aliás, para isso não são precisos mais do que cinco minutos. O restante do tempo é para que o esmalte que reveste a dentição volte a fi car duro e forte. Afinal, o problema da acidez é justamente este: amolecer essa camada.
Alguns hábitos também contribuem para a perda de minerais. "Ficar bebericando um suco de laranja em frente ao computador, por exemplo, é péssimo", afirma o dentista Jaime Cury, que é professor da Faculdade de Odontologia de Piracicaba, ligada à Universidade Estadual de Campinas, a Unicamp, no interior paulista. É que a boca alterna processos de desmineralização, quando ingerimos algo ácido, e de remineralização, pela ação da saliva. "Para evitar essa alteração constante no pH da boca, o que pode acabar não dando certo, o melhor é tomar o copo todo de uma só vez."
Se você der uma boa olhada no ranking, notará que os refrigerantes à base de cola ocupam o topo da lista. Pois é, esse tipo de bebida está lotado de substâncias ácidas. Seu consumo em excesso tem sido apontado por alguns especialistas como a causa do crescimento espantoso do problema. Hoje, cerca de seis em cada dez pessoas sofrem de erosão dentária.
Embora a tal erosão resulte em buracos, não confunda: esse tipo de desgaste não tem nenhuma relação com as cáries, que são provocadas por bactérias. "Há cerca de 100 milhões delas nadando na nossa saliva", conta Jaime Cury. "Na presença de algum tipo de açúcar, principalmente a sacarose, elas se fixam na superfície do dente e começam a se multiplicar, formando a placa bacteriana", explica ele. Em seguida esses microorganismos passam a produzir ácidos que dissolvem os minerais. As áreas afetadas pela erosão, porém, não sofrem com as cáries. "Isso porque a perda contínua de minerais impede a formação da placa bacteriana", explica o dentista Anderson Hara, que é professor assistente do Instituto de Pesquisas de Saúde Oral da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos. "No entanto, os buracos deixados pela erosão dificultam a limpeza dos dentes e isso, sim, facilita o acúmulo das bactérias causadoras de cárie", explica Jaime Cury. Contra essa lesão a saliva também tem papel importante. Ela dilui o açúcar, neutraliza os ácidos produzidos pelas bactérias e ajuda a repor os minerais perdidos no seu sorriso.
BANHO DE ÁCIDOS
Veja como a escova pode encher o dente de buracos
CLAREAMENTO VERSUS MANCHAS
Os agentes clareadores, como o peróxido de hidrogênio e o peróxido de carbamida, podem provocar a desmineralização dos dentes e, assim, aumentar a sua porosidade. Isso, paradoxalmente, favorece a penetração de pigmentos presentes no café, no chá, no vinho tinto, nos refrigerantes à base de cola e nos refrescos artificiais com corante. "As substâncias aplicadas hoje em dia no clareamento feito em consultório não são prejudiciais, desde que usadas corretamente", afirma o dentista carioca Mário Kruczan, que é membro da Federação Européia de Periodontia. Para manter a dentição bem clarinha depois do tratamento, evite a ingestão dos itens mencionados e de alimentos corantes, como o shoyu. Depois procure caprichar na escovação e, claro, diga adeus ao cigarro.
COPOS CHEIOS DE ACIDEZ
Veja o nosso ranking de 23 bebidas. Quanto menor o valor do pH, mais ácida ela é
• Refrigerantes à base de cola de 1,9 a 2,2
• Suco de limão de 1,7 a 3,0
• Suco de carambola de 1,9 a 2,4
• Suco de maracujá de 2,6 a 3,0
• Suco de maçã de 3,0 a 3,5
• Suco de morango de 3,0 a 3,5
• Refrig. à base de guaraná de 1,9 a 2,2
• Suco de uva de 3,0 a 3,6
• Vinhos (tintos e brancos) de 3,0 a 3,6
• Suco de laranja de 3,0 a 4,0
• Suco de acerola de 3,2 a 3,7
• Néctar de pêssego de 3,3 a 3,6
• Suco de cereja de 3,5 a 3,7
• Suco de melancia de 3,5 a 4,0
• Suco de abacaxi de 3,5 a 4,0
• Suco de pêra de 3,7 a 4,0
• Néctar de manga de 3,8 a 4,1
• Néctar de goiaba de 3,8 a 4,2
• Cervejas de 4,0 a 4,1
• Suco de tomate de 4,0 a 4,2
• Café de 4,5 a 5,0
• Iogurte de 4,5 a 5,0
• Chás de 4,8 a 5,0
FONTE: ROBERTO HERMINIO MORETTI, PROFESSOR TITULAR DA FACULDADE DE ENGENHARIA DE ALIMENTOS DA UNICAMP
NASCEM AS CÁRIES
PINTAM AS MANCHAS
Design e infográficos EDER REDDER e ROBSON QUINAFÉLIX | ilustração GAL GRUMAN
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