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Medicina MATÉRIA

A guerra contra a balança nas farmácias

Conheça um pouco mais sobre as armas mais vendidas pela indústria farmacêutica para combater a obesidade

Fluoxetina
Ok, esta não é uma droga que foca principalmente a perda de peso. Trata-se, na verdade, de um medicamento antidepressivo dos mais receitados para acabar com aquela tristeza sem fim. Mas, ao aumentar a captação da serotonina na nossa massa cinzenta - e é isso o que a fluoxetina faz, isto é, ela melhora o aproveitamento da molécula por trás da sensação de bem-estar no cérebro - a substância pode pôr um fim naquela vontade de devorar uma caixa de bombons em cinco minutos. "Não é uma droga para diminuir a fome", esclareceo endocrinologista Henrique Suplicy, presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica. "Ela é mais indicada para aquelas pessoas que atacam a geladeira quando se sentem angustiadas", exemplifica.

Orlistat
Qualquer molécula de gordura - seja a do salgadinho, a do churrasco do final de semana, a do chantilly do bolo ou, ainda, a daquele fio de azeite sobre a salada - é grandalhona demais para atravessar as paredes intestinais sem qualquer ajuda. Ela precisa do auxílio de uma enzima chamada lipase para quebrá-la em partículas menores que, uma vez absorvidas no intestino, irão cair na corrente sangüínea para, então, serem usadas como fonte de energia ou terminarem estocadas nos pneus do corpo. É aí, justamente, que o orlistat entra em ação. Dentro do aparelho digestivo - ele não vai parar no sangue --, o remédio bloqueia cerca de 30% do exército de lipases. "Dessa maneira, podemos deduzir que apenas uns 70% das moléculas gordurosas ingeridas na refeição serão absorvidas pelo organismo", diz o médico Henrique Suplicy. Por isso mesmo, o remédio é mais indicado para aquele indivíduo que está acima do peso, entre outros fatores, porque costuma comer muita gordura.

Sibutramina
"Ela inibe o apetite e, ainda, aumenta a sensação de saciedade", conta o endocrinologista Henrique Suplicy. "Ou seja, tem uma espécie de dupla ação". O medicamento eleva a produção de noradrenalina, hormônio que reduz a nossa vontade de comer. Ao mesmo tempo, amplia a síntese serotonina, aquele hormônio do bem-estar e, com isso, os ataques de gula se tornam mais raros e o indivíduo tende a se sentir satisfeito com menos comida. "A grande vantagem desse medicamento é que leva a pouquíssimos efeitos colaterais", opina o especialista.

Anfepramona
Essa substância age no centro que regula a fome no nosso cérebro, inibindo o apetite pelo aumento na produção de noradrenalina. O problema é que o nível de dopamina - um neurotransmissor fabricado na massa cinzenta - também sobe. "Isso significa que a pessoa que usar a anfepramona por muito tempo pode desenvolver dependência à droga", alerta Henrique Suplicy. A amfepramona, é bom lembrar, é parente da anfetamina, outra substância emagrecedora que causa dependência e produz efeitos colaterais.

 
 
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