Dieta dos pontos Leia, use, aprenda a comer de tudo e emagreça de vez (com muito prazer!)
IMAGEMTXTO total desconhecimento sobre o recheio das nossas fronhas está claro para a fisioterapeuta Silmara Rodrigues Bueno, que há algum tempo conduz um estudo curioso no Instituto do Sono da Universidade Federal de São Paulo, a Unifesp. Ela já convidou 50 voluntários para, digamos, passar uma noite ao seu lado e de outros pesquisadores. Detalhe: para pernoitar na instituição, todos tiveram de levar o travesseiro de casa embaixo do braço.
Antes de afundar a cabeça nele e adormecer no quarto montado no laboratório, o participante era conectado ao equipamento de polissonografia que registrou para os cientistas, sempre em atenta vigília, detalhes da fisiologia do dormidor. "Diversos estudos já nos apontavam que 82,9% dos indivíduos não utilizam o travesseiro corretamente", diz Silmara, para quem essa constatação é de tirar o sono. Afinal, ela está defendendo tese de mestrado sobre a relação desse acessório com o merecido descanso nosso de todas as noites.
Ao acordar, cada um dos voluntários da experiência recebeu da fisioterapeuta instruções sobre como corrigir sua postura na cama, dependendo das observações feitas ao longo da madrugada. Depois saiu do laboratório com um presente e um novo convite. O presente, no caso, era um kit com dois travesseiros — um modelo para apoiar sua cabeça, escolhido pela pesquisadora de acordo com a estrutura física do cidadão, e outro para ficar entre ou sob os joelhos. Esse segundo, aliás, pode fazer grande diferença (veja as posições certas para dormir nas próximas páginas). O convite de Silmara, por sua vez, era para voltar ao instituto da Unifesp dali a 40 dias para uma entrevista e mais uma noite com polissonografia — carregando, claro, os novos travesseiros. "O trabalho está só começando, mas essas pessoas já têm um sono muito melhor", nota a fisioterapeuta.
Especialista em distúrbios do sono, a pneumologista Luciana Palombini passou uma bela temporada analisando a relação entre descanso e travesseiro na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. "Se ele é inadequado, o repouso fica fragmentado e menos eficiente", garante a expert. "A pessoa pode nem sequer chegar às fases 4 e REM de sono mais profundo. E, se chega, muitas vezes elas duram menos do que o necessário", explica. O quarto estágio do sono, diga-se, é fundamental para a recuperação do desgaste físico, enquanto a fase REM é a dos sonhos, responsáveis em boa parte pela restauração da mente.
As noites desperdiçadas entre os lençóis — por causa de um travesseiro errado ou não — provocam sonolência diurna. Isso para dizer o mínimo. "Há déficits de atenção, problemas de memória e de aprendizado e distúrbios de humor", acrescenta a médica Lia Rita Azeredo Bittencourt, que dá aulas sobre o tema na Unifesp. "Sem falar no maior risco de desenvolver doenças cardiovasculares, diabete, infeções e obesidade", complementa.
Para o pneumologista Denis Martinez, da Universidade Federal de Porto Alegre, a ironia por trás dessas ameaças é que elas são causadas, basicamente, por uma descarga extra de adrenalina no dia-a-dia. É o preço que o organismo paga pela falta de descanso. "Por causa de substâncias assim, o indivíduo se adapta à situação. Deixa de perceber seu esgotamento e passa a acreditar piamente que dorme bem", diz ele. Para o médico, isso é motivo de sobra para prestar atenção em cada detalhe capaz de garantir bons sonhos. O travesseiro, agora se sabe, é um deles.
PARCEIRO IDEAL
Quando se pensa exclusivamente em sono, a altura é mais importante do que a matéria-prima
Macio ou firme, o material não interfere tanto na qualidade do repouso quanto a altura do travesseiro. A fita métrica, portanto, deve ser usada antes de você sair às compras. Para quem dorme de lado — posição que é considerada a mais adequada — a altura da peça tem que ser igual à distância entre o pescoço e a parte externa do braço. Nem 1 centímetro a mais, nem 1 a menos seria o ideal. Já para quem dorme com a barriga para cima, o melhor é levar para a cama um travesseiro mais baixo do que isso para preencher o espaço entre a coluna cervical e a nuca sem comprimir a primeira. Mas atenção: é só um pouco mais baixo mesmo, porque a cabeça não pode ficar caída demais, especialmente se você ronca e sofre de apnéia. "Ou poderá haver uma obstrução das vias aéreas, que só agravará o problema", alerta a reumatologista e especialista em sono Suely Roizenblatt, orientadora da tese de Silmara Bueno.
DE BRUÇOS, NUNCA!
Dormir de barriga para baixo é pedir para acordar cansado e todo dolorido. "Para que o rosto não fique afundado no travesseiro, o pescoço tem que fazer uma rotação de 90 graus, que força toda a região", descreve Silmara. "Além disso, a região torácica e a lombar são prejudicadas nessa postura."
No mínimo o travesseiro deve ser trocado a cada dois anos. Até porque a cabeça solta muitas secreções que favorecem a proliferação de ácaros, bactérias e fungos
ANTES DE LEVAR PARA A CAMA
O conforto é quesito importantíssimo e deve influir na sua escolha. No entanto, vale fazer algumas considerações antes de comprar o seu travesseiro. "Os de pena podem exalar um odor forte capaz de incomodar olfatos mais sensíveis", chama a atenção Suely Roizenblatt. Ela também aconselha dar preferência aos enchimentos que se deformam com menos facilidade. "É o caso do látex e da mola", exemplifica. O tamanho também conta — sim, precisa ser grande para não sair do lugar com qualquer movimento do seu corpo durante a noite. E, se possível, pague o mico porque não há jeito melhor para saber se um modelo é o mais apropriado para a sua cabeça: peça para testá-lo ali mesmo. "Se a loja tiver cama ou um sofá, deite-se apoiando-se na peça que pretendem lhe vender", diz Silmara Bueno. "Em último caso, encoste o travesseiro na parede e pressione a cabeça." Só nunca se esqueça, por melhor que seja essa primeira impressão, de conferir a altura, combinado?
AJEITE-SE PARA O DESCANSO
Segundo os especialistas, é possível educar seu corpo para que ele se acostume a dormir nas posições certas
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