mapa do site | Newsletter | Saude! na loja abril | Anuncie |
Edições anteriores Folheie nossa revista experimente abril.com revista do mês
Medicina MATÉRIA

A natureza contra a RINITE

A butterbur, uma planta de aparência exótica bem conhecida na Europa, alivia as crises dessa inflamação alérgica sem atormentar com tantos efeitos colaterais

Por ANDERSON MOÇO | foto DERCÍLIO VANZELLI | ilustração CELINA GUSMÃO

 As folhas são largas e grandes, resistentes o suficiente para embalar a manteiga — butter, em bom inglês. Bur, na mesma língua, significa invólucro. Daí o nome, porque essa talvez tenha sido a primeira forma de aproveitamento da espécie, originária das montanhas européias. Os cientistas preferem chamá-la de Petasites hybridus L. A ciência, aliás, investigou outra antiga utilização da butterbur: aliviar alergias respiratórias, em especial a rinite. Há relatos seculares desse efeito, quando o povo bebericava o chá de suas folhas para fins medicinais — curar dor de cabeça inclusive.

Hoje os especialistas em fitoterapia indicam a butterbur em cápsulas, cada vez mais receitadas no Velho Mundo. Elas concentram dosagens bem controladas do seu principal componente antialérgico, a petasina. No Brasil o Laboratório Aché é o primeiro a lançálas. E, diga-se, parecem ter chegado em boa hora, porque acaba de ser publicado um estudo assinado pelo Max Zeller Sohne, um respeitado centro de pesquisas sobre plantas medicinais instalado na Suíça. Segundo os autores, a espécie diminuiu os sintomas de 90% dos 580 pacientes que engoliram duas cápsulas diárias do extrato durante 15 dias. Quase metade dos voluntários continuou tomando anti-histamínicos. Mas a combinação da butterbur com esses remédios não produziu maiores efeitos do que a planta sozinha. Ao contrário, fez surgir alguns típicos efeitos colaterais do tratamento da rinite, como a sonolência.

Buscar uma saída para a rinite que não leve a resultados adversos é questão de saúde pública, já que ela atinge de 10% a 25% da população mundial. "A rinite é uma inflamação alérgica da mucosa nasal que causa espirros e uma irritação que se alastra na garganta e nos olhos", descreve Reinaldo Gusmão, especialista em alergias respiratórias da Universidade Estadual de Campinas, no interior paulista.

Além de anti-histamínicos, os médicos muitas vezes precisam lançar mão da cortisona e o uso prolongado desse potente antiinflamatório leva a uma série de problemas, como a retenção excessiva de líquidos e até mesmo o diabete. "O extrato da planta tem uma substância, o antileucotrieno, que substitui a cortisona sem disparar reações", revela Mônica Menon, pneumologista de São Paulo especializada em fitomedicamentos.

Por causa dessa ação, muitas das experiências com a butterbur também focam seu possível efeito contra a asma. A investigação mais recente, porém, foge do território das alergias. Pesquisadores do Albert Einstein College of Medicine, em Nova York, nos Estados Unidos, testaram o fitoterápico ao longo de um mês em vítimas da enxaqueca. O número de crises dolorosas entre os voluntários caiu praticamente pela metade. Portanto, é outra promessa da butterbur.

FICHA TÉCNICA
Nome científico: Petasites hybridus L.
Nome popular: Butterbur (em inglês, ainda sem tradução para o português).
Origem: Regiões montanhosas da Europa.
Características: Planta de flores amareladas e avermelhadas, com folhas que chegam a medir 80 por 40 centímetros.
Parte usada no medicamento: O extrato de suas folhas.

 
 
logo abril Copyright © 2009 Editora Abril S.A. Todos os direitos reservados. All rights reserved