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O próprio Amil Sood, coordenador do estudo, lembra que ele e seu time não descobriram que estresse causa câncer, mas que é capaz de agravar a doença. Sua investigação revelou outro dado importante: quando os animais estressados foram tratados com propalonol, um medicamento indicado para a hipertensão porque diminui a contração dos vasos provocadas pelos hormônios do estresse, os tumores pararam de crescer e proliferar. "Se uma droga como essa é capaz de bloquear o efeito do estresse no tumor e interromper sua evolução, ela poderá se tornar muito útil no futuro", diz Sood.
Luto, divórcio e outras mudanças drásticas no dia-a-dia — muita gente se pergunta se poderiam afetar de tal maneira o sistema de defesa a ponto de abrir brechas para o câncer. Poderia ser o caso da professora Therezinha de Jesus Donati, que tratou um tumor maligno no útero dez anos atrás, quando se aposentou. "Na época eu sofria de muita ansiedade", conta ela, hoje com 70 anos. Mara Eckmann, 52, também desconfiou do impacto do estresse sobre a saúde quando, há nove anos, teve câncer no intestino. Por precaução, mudou de emprego e procurou relaxar mais. "Hoje continuo correndo muito, mas tento não me preocupar tanto", conta.
Segundo o oncologista Daniel Gimenez, a associação entre períodos de grande abalo emocional e o surgimento do câncer tem sido bastante investigada. "Podem existir casos isolados. No entanto, estudos populacionais mostraram que não existe essa relação", ele opina. Alguns psicólogos, porém, pensam diferente, baseando-se em dados coletados entre os próprios pacientes. Eles defendem que o estresse pode, sim, ser um elemento que predispõe a tumores. "No histórico de muitos doentes freqüentemente identificamos fatores de vulnerabilidade, como conflitos não resolvidos. São situações bastante presentes que, ao meu ver, podem levar a uma predisposição", afirma Elisa Maria Perina, presidenta da Sociedade Brasileira de Psico-Oncologia. Ela frisa, no entanto, que o estresse e a instabilidade emocional agiriam junto a outros fatores de risco, como o tabagismo, o alcoolismo, as drogas e o sedentarismo, sem contar questões genéticas.
Muitas equipes que tratam o câncer já incrementam sua abordagem terapêutica com estratégias para ajudar seus pacientes a controlar esse fator tão suspeito. Além das terapias tradicionais, aos pouco entraram no receituário massagens, ioga, tai chi chuan, meditação e técnicas de visualização. "Essas terapias reduzem o estresse e melhoram principalmente a qualidade de vida desses doentes. Se elas têm eficácia antitumoral ainda não está comprovado", diz Nise Yamagushi. E aqui vale um lembrete: por mais contraditório que pareça, a preocupação excessiva em manter-se calmo para prevenir ou vencer a doença pode trazer um resultado oposto ao esperado, ou seja, é bem capaz que você acabe estressado. Então, é bom relaxar também quanto a isso.
MOVIDO PELA TENSÃO
Saiba como o estresse pode fazer o tumor crescer e de que maneira uma substância interrompe essa evolução
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DEFESA DORMINHOCA
Nenhum invasor escapa do sistema imunológico. Bem que gostaríamos que esse enunciado fosse verdadeiro. Mas o batalhão encarregado de proteger o corpo às vezes é ludibriado. O pesquisador James Allison, do Instituto Sloan-Kettering, nos Estados Unidos, descobriu que certas células doentes conseguem distrair nossa tropa de defesa. Além disso, o próprio tumor excreta moléculas que recrutam as células do sistema imunológico para ajudá-lo a invadir outros órgãos. Os detalhes sobre esse mecanismo estão sendo pesquisados. E a chave para resolver tudo isso pode estar na molécula CTLA-4. Os pesquisadores já descobriram uma maneira de bloquear a CTLA-4 e estão testando métodos para associá-la a outros tratamentos contra a doença (veja quadro abaixo).
NOVAS CHANCES
Falha no sistema imunológico pode abrir um novo caminho para tratamento
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A molécula CTLA-4 é uma das encarregadas de proteger nosso corpo, mas às vezes ela abaixa a guarda contra o câncer. Com injeções de anticorpos os pesquisadores conseguiram bloquear a CTLA-4. O sistema imunológico, então, se deu conta do erro e atacou o tumor.
DE OLHOS FECHADOS
Deixe a mente livre e imagine belas paisagens, cenários apaziguadores e seu corpo sendo curado. É mais ou menos assim que funciona o método de visualização, que ensina pacientes com câncer a usar a imaginação para tratar a doença e reduzir seus sintomas. A técnica foi desenvolvida nos Estados Unidos, nos anos 1960, pelo oncologista Carl Simonton. Mais conhecida como Método Simonton, faz sucesso entre muitos pacientes e hoje costuma ser associada a outras terapias complementares, como a meditação. "A idéia é que o doente consiga influenciar diretamente no mal, embora não exista comprovação científica de que realmente funciona", diz a psiquiatra Célia Lídia da Costa, do Hospital do Câncer de São Paulo.
infográficos - Sandro Falsetti
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