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Bichos MATÉRIAS

Aliada contra o câncer

A quimioterapia representa uma esperança de vida para o cão doente. E o que também é ótimo ¿os efeitos colaterais são menos agressivos do que se imagina. Confira!

por Adriana Toledo | design Samara Araújo | foto Omar Paixão

A história de Thor, o rotweiller de 10 anos que você vê ao lado, tem final feliz e comprova a força dos medicamentos quimioterápicos na batalha contra o câncer. O dono, o estudante Edgard Makotto, de São Paulo, conta que aos 8 anos o cão começou a apresentar alguns nódulos no pescoço, posteriormente diagnosticados como linfoma tumor maligno que afeta os gânglios. Sem perder tempo, ele correu para o Hospital Veterinário Sena Madureira, em São Paulo. Lá teria início uma verdadeira odisséia para curar o bicho que duraria cerca de um ano. Foram exames e mais exames, além de inúmeras sessões de quimioterapia. "Valeu a pena. Ele não está curado, mas leva uma vida normal", comemora Edgard.

Segundo Rodrigo Ubukata, o veterinário oncologista de Thor, a doença está sob controle e o cão só precisa de um acompanhamento periódico. "Quando o problema não pode ser solucionado com cirurgia, como em casos de leucemia, a quimioterapia é a saída", disse à SAÚDE! o também oncologista Phil Bergman, da Veterinary Cancer Society, nos Estados Unidos. "No tratamento do linfoma, por exemplo, a doença costuma regredir em 90% das ocorrências.

Há outras situações em que esse tipo de tratamento costuma ser eficaz. "A quimio é indicada antes de cirurgias para reduzir o volume do tumor e facilitar o procedimento. E também após a sua remoção, para prevenir seu reaparecimento ou uma metástase.

Por fim, para aumentar a sobrevida do animal", explica a veterinária Renata Sobral, da clínica Provet, em São Paulo, cuja especialidade também é a oncologia. "Quanto mais precoce o diagnóstico, melhores os resultados, embora possamos obter sucesso até mesmo em fases avançadas da doença", explica Rodrigo Ubukata.

Uma boa notícia é que para os animais a quimioterapia não é nenhum bicho-de-sete-cabeças. "Em 95% dos pacientes, não observamos efeitos colaterais significativos", tranqüiliza Ubukata. Nos demais, segundo ele, podem ocorrer episódios raros de náusea e diarréia, queda na imunidade, anemia ou perda de pêlos, que voltam a crescer após a suspensão dos medicamentos. "Mas há remédios que amenizam esses sintomas, protegendo o estômago, evitando enjôos e melhorando as defesas", afirma Renata. As sessões de quimioterapia podem ser semanais, quinzenais ou mensais, com duração de 15 minutos a seis horas, dependendo da droga utilizada. A maioria delas é administrada pela veia, mas existem outras que são aplicadas sob a pele, no músculo, direto no tumor ou via oral. O tempo de tratamento varia de um mês a um ano.

Quimioterapia em ação
As drogas que entram nesse tratamento variam, mas o mecanismo de ação é o mesmo. Sua função é provocar falhas no processo de multiplicação celular constante, que caracteriza a doença. O resultado desse bombardeio químico é a morte das células cancerosas e, conseqüentemente, a redução delas no organismo. Ocorre, porém, que esses medicamentos não conseguem distinguir as células doentes das sadias, que também se renovam continuamente no sangue, no sistema digestivo e na pele, por exemplo. Elas também são atacadas, levando a problemas como anemia, imunossupressão e queda de pêlos. Esses efeitos adversos são mais leves do que os observados em humanos.

 
 
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