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Termômetro da libido
O brasileiro tem, em média, três relações sexuais por semana. A freqüência, no entanto, pode variar de acordo com a idade.
• De 15 a 29 anos: quatro ou cinco relações semanais
• De 30 a 49 anos: duas ou três relações por semana
• Acima de 50 anos: uma relação por semana ou a cada dez dias
FONTE CARMITA ABDO, COORDENADORA DO PROJETO SEXUALIDADE (PROSEX) DO HOSPITAL DAS CLÍNICAS
Já houve tempo em que a menopausa coincidia com o fim da vida da mulher. Hoje, quando a expectativa de vida média subiu para 72 anos, ela pode ficar mais de 25 anos sem função ovariana. "É muito tempo para viver dessa forma precária, sem sentir desejo", opina a psiquiatra Carmita Abdo, coordenadora do Projeto Sexualidade (ProSex), do Hospital das Clínicas de São Paulo.
Medo da idade
Quando o desinteresse pelo sexo é exagerado, a questão hormonal pode ter muito menos a ver com isso do que as dificuldades de ordem emocional. Algumas delas, inclusive, relacionadas a problemas que vêm se arrastando ao longo do tempo: educação rígida demais, frustrações amorosas, tendência à melancolia no período da menstruação, pouco interesse sexual na gravidez ou depois do parto. "As mulheres que já passaram por isso são fortes candidatas a se tornar depressivas e a fazer pouco sexo após a menopausa", aponta Carmita.
Some-se a todos esses elementos o medo que muitas têm de ficar velhas — uma questão muito subjetiva quando se pensa que é possível ter espírito jovem e libido em alta aos 65 anos ou mais. "Ainda existe muito preconceito sobre sexo na maturidade. A sociedade acredita que a libido é coisa da juventude", critica Maria Helena. "Apenas a capacidade reprodutiva acaba com a menopausa e não a vida sexual."
Repor sentimentos
As mudanças hormonais no climatério provocam instabilidade emocional, desânimo e cansaço extremo. São sempre elas o foco das atenções de médicos adeptos de um ajuste químico. Mas, segundo o psicoterapeuta Moacir Costa, de São Paulo, que também é coordenador do Projeto Amar Bem, mais importante que a reposição hormonal é a reposição afetiva. "Como a menopausa é uma fase de balanço de vida, a mulher pode se dar conta de que está infeliz, acomodada em um casamento morno, sem desejo sexual e projetos de vida", observa o especialista. "Não bastam hormônios ou antidepressivos. Ela precisa reescrever outro roteiro para sua vida, ainda que seja com a ajuda da psicoterapia."
Para o psicólogo Ailton Amélio da Silva, professor de relacionamento amoroso da USP, a menopausa é uma crise a dois, que costuma coincidir com o esvaziamento do lar e os sinais de envelhecimento. "O casal precisa se reencontrar, enfrentar as questões para garantir um final feliz", diz.
A funcionária pública aposentada Ana Maria*, 60 anos, está nessa batalha. A falta de desejo chegou com força total, mas ela aposta que o casamento harmonioso de 35 anos sobreviverá à crise. "Somos companheiros e ele está sendo compreensivo", admite. Até dois anos atrás, Ana Maria tinha relações sexuais duas vezes por semana. Agora, é uma por quinzena, e mesmo assim com um certo esforço. "Preciso de mais tempo, mais toques e o orgasmo demora muito para chegar", confidencia. No caso dela, que faz tratamento de reposição hormonal desde os 52 anos, tudo indica que o problema está mesmo é na cabeça. Daí ela ter buscado a ajuda de um psicoterapeuta. "Eu me dei conta de que estou envelhecendo, e isso deve estar barrando meu desejo."
Força no desejo
Há atitudes que ajudam o desempenho sexual na menopausa e outras que pioram de vez a situação.
Sinal verde
• Praticar exercícios
• Ter uma atividade intelectual
• Fazer exames periódicos para detectar hipertensão, diabete e doenças do coração
• Adotar a reposição hormonal ou hormônio local para não atrofiar a mucosa vaginal
• Ter um psicoterapeuta para combater a depressão e, se necessário, usar antidepressivos
• Usar (siiiiiim!) lubrificantes
Sinal vermelho
• Fumar em excesso
• Levar uma vida sedentária
• Engordar demasiadamente
• Tomar muita bebida alcoólica
• Usar drogas
Saudades do corpinho
A sexualidade não está diretamente ligada à aparência, mas é verdade que muitas mulheres, na hora de se despir diante do parceiro, morrem de vergonha de não ter mais a cintura fina e os seios firmes. Para Ailton Amélio, o sexo só em parte tem a ver com o corpo. "Tudo isso pode ser compensado com atitudes mais sensuais e relações mais livres e prolongadas", recomenda.
Essa lição foi muito bem aprendida por Marisa*, 52 anos, empresária no ramo de cosméticos. "Estou com os seios e a barriga flácida, mas namoro o tempo todo e acho o sexo uma delícia!", afirma. "Acho até que farei uma plástica em breve, só para ficar bem no biquíni. O sexo precisa de muito mais que corpo perfeito." Divorciada e com três filhos, entre 21 e 34 anos, ela não passa mais que uma semana sem experimentar um bom orgasmo. Confessa que, em geral, a relação sexual com o namorado dura pelo menos três horas, o tempo mínimo para garantir a qualidade do ato. "Até driblo o orgasmo para não ser rápido." A favor dos gestos, em vez de palavras, Marisa conduz o parceiro para o que gosta. "Uma conversa estritamente técnica faz perder o erotismo", ensina. O segredo do desejo? Cabeça boa, mas também um fitoterápico que repõe hormônios e um complexo vitamínico. O ligeiro ressecamento vaginal é combatido com uma pomada aplicada antes da relação. "Acaba sendo um ritual de preparação. A gente se diverte muito", diz, brincando.
Se o namorado se vai, ela não tem dúvida: apela para a masturbação. E sem querer (querendo!) está fazendo o certo. "É um exercício ótimo para a vitalidade dos genitais, especialmente para a mucosa da vagina e da vulva", diz Carmita Abdo.
Mais, mais, mais...
Segundo a psiquiatra, está comprovado que, quanto mais sexo, menos a vagina atrofia e menos dolorosas ficam as penetrações. Para as mulheres sem parceiro fixo, ela diz que a camisinha é indispensável porque doenças sexualmente transmissíveis e aids vêm aumentando muito entre parceiros maduros, até entre idosos. Há uma explicação científica para isso. "Com a parede da vagina mais fina e ressecada, a mulher corre um risco maior de se infectar", diz Maria Helena Vilela.
Protegida e liberada, é hora de perder os pudores em relação ao sexo. "Deve-se deixar a vergonha atrás da porta e curtir a idade que se está vivendo", conclui Maria Helena. "Sexo só faz bem."
"Despertei para o prazer"
"Entrei no hospital para retirar o útero e acabei saindo também sem o ovário, que tinha um cisto hemorrágico. Foi um choque. O médico me disse que por causa disso eu precisaria fazer reposição com hormônios sintéticos e eu morria de medo de ter câncer. Tinha 44 anos, estava desempregada e ainda por cima na menopausa. Sexo já era uma palavra fora do meu dicionário há um bom tempo e a situação só piorou porque engordei. Depois, com 49 anos e separada, voltei a estudar. Na faculdade, me apaixonei por um professor que abriu a chave da minha libido. Coloquei em prática tudo o que tinha visto em canais de sexo. Depois, apareceu um engenheiro bem atrevido, por quem tive muita atração física. Liberei tudo o que estava reprimido e até experimentei sexo anal. A partir daí, tive muitos outros encontros casuais. Sou atraente e meu desejo continua em alta. Passou o trauma de estar na menopausa."
VALÉRIA*, 52 ANOS, ASSISTENTE DE MARKETING
* NOMES TROCADOS A PEDIDO DAS ENTREVISTADAS
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