mapa do site | Newsletter | Saude! na loja abril | Anuncie |
Edições anteriores Folheie nossa revista experimente abril.com revista do mês
Medicina MATÉRIA

Vale tudo na hora de parar de fumar?

Conheça os perigos de uma nova e polêmica terapia antitabagismo e saiba quais são mais métodos seguros e eficazes contra o cigarro

por BETH FERNANDES I design ROBSON QUINAFÉLIX I foto DERCÍLIO VANZELLI

Faz apenas um mês que o médico cubano Sergio Menendez trouxe a novidade para o Brasil. Desde então quase 100 pessoas já se submeteram ao tratamento. Alguns veículos de comunicação até descreveram a terapia com otimismo. Ela conseguiria a proeza de fazer os fumantes apagarem o cigarro para sempre em menos de 15 dias! Por enquanto o método está sendo aplicado no Instituto Menetrier, em São Paulo. Ali o candidato a largar o vício primeiro passa por uma avaliação clínica para checar a quantas andam o coração e o estado geral de saúde. Em seguida recebe uma injeção intramuscular e mais duas atrás da orelha. Nos 15 dias subseqüentes deve usar um adesivo e ingerir uma cápsula, ambos com a mesma composição. Isso três vezes ao dia.

A PROMESSA
"Oitenta por cento dos pacientes deixam o cigarro durante esse período", garante a cardiologista Ana Cristina de Carvalho Barreira, representante do instituto. Sergio Menendez, o dono da idéia, conta que, em um ano, já tratou 500 fumantes nos Estados Unidos. "O coquetel, que contém substâncias aprovadas pelo órgão americano FDA, bloqueia os receptores de nicotina no cérebro, eliminando a vontade de fumar", explica. "Ele também estimula a produção de dopamina, um neurotransmissor que promove a sensação de bem-estar." Para o empresário paulistano Milton Tabarelli, de 40 anos, a fórmula parece ter sido eficaz. Ele fumou durante 23 anos e deixou o vício no dia seguinte ao do início do tratamento. "Acordei e não tive vontade de acender o cigarro", conta. "Só senti um pouco de moleza e sonolência."

OS RISCOS
Ocorre que nem todos os pacientes se beneficiam como Tabarelli. Os próprios responsáveis pela terapia reconhecem que o medicamento pode provocar alguns efeitos colaterais, como náusea, agitação, boca seca, visão turva e indigestão. Isso para falar nos menos graves. Segundo Henrique Carlos Gonçalves, diretor e primeiro secretário do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo, oito médicos registraram denúncias contra o tratamento, que ele considera perigoso. O caso já foi até encaminhado ao Ministério Público. "Esse método não tem reconhecimento nem consta na literatura médica", alerta Gonçalves. "Além disso, há relatos de pacientes que apresentaram sérias reações adversas."
A cardiologista Jaqueline Issa, diretora do Programa Ambulatorial de Tratamentos do Tabagismo do Instituto do Coração, em São Paulo, também se declara totalmente contra o coquetel. "Um de seus componentes, a atropina, é empregado na medicina para reverter ataques cardíacos. Usado indevidamente, pode causar arritmia, taquicardia e até infarto", avisa. "Além disso, como não houve testes com grupos que tenham recebido placebo, é possível que o sucesso do método se deva a fatores meramente psicológicos."
O psiquiatra Rafael Bernardon Ribeiro, do Hospital das Clínicas de São Paulo, também se junta ao coro dos críticos ferrenhos, alegando que os demais componentes da fórmula podem ser igualmente prejudiciais. "A escopolamina é um sedativo que pode ocasionar alucinações, assim como outro ingrediente, a clorpromazina, usada para tratar distúrbios psicóticos", exemplifica.

NESTES VOCÊ PODE CONFIAR
O pneumologista Sérgio Ricardo Santos, do Núcleo de Apoio à Prevenção e Cessação do Tabagismo da Universidade Federal de São Paulo, listou os métodos testados e aprovados por órgãos de saúde, como o FDA e a Anvisa. Nenhum deles, porém, pode ser usado sem recomendação médica.
Antidepressivos - As drogas à base de bupropiona e nortriptilina estimulam os neurotransissores responsáveis pelo bem-estar, substituindo parte da ação da nicotina.
Terapias de reposição de nicotina - Lançam mão de adesivos ou gomas de mascar que contêm a substância, diminuindo a necessidade de obtê-la por meio do cigarro. Aí, o fumante tende a abandonar o hábito de acendê-lo em momentos de tensão.
Clonidina - Embora possa funcionar contra o tabaco, esse anti-hipertensivo é o menos eficaz. E ele pode baixar muito a pressão arterial, caso a pessoa não seja hipertensa.

Veja as dicas da SAÚDE para ajudar você a parar de fumar

OUTUBRO 2005

Quem quer deixar de fumar deve escolher um método que tenha comprovação científica e que seja, além de eficaz, seguro
 
 
logo abril Copyright © 2009 Editora Abril S.A. Todos os direitos reservados. All rights reserved