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Bichos MATÉRIAS

 Para nadar em saúde

Como pode um peixe vivo viver fora do seu ambiente natural? Aprenda a reproduzir no aquário de água doce o hábitat das espécies mais resistentes e, também por isso, mais populares  

por Beth Fernandes

É relaxante observar o lento vai-e-vem dos peixes coloridos. Só esse benefício já justifica ter um aquário em casa. Mas é preciso proporcionar aos seus habitantes as condições ideais de água, temperatura e alimentação. Se você é aquarista de primeira viagem, precisa saber que nem todas as espécies convivem bem. Os territorialistas, caso do malawi, do tanganica e do bárbus sumatrano, só aceitam companheiros da mesma família. Já o agressivo beta não admite a presença de peixe nenhum. Contrariar a natureza desses seres aquáticos significa, na melhor das hipóteses, provocar situações de tensão capazes de comprometer sua saúde. Na pior, eles simplesmente se matam.

A localização do aquário também é importante. "Escolha um ambiente tranqüilo e com boa iluminação", ensina a veterinária Fabiana Pilarski, responsável pelo Laboratório de Doenças de Peixes Ornamentais da Universidade Estadual de São Paulo, em Jabuticabal. "Muito movimento e pouca proteção levam ao estresse, o principal responsável por doenças nos peixes", completa o veterinário Carlos Donini, das Faculdades Metropolitanas Unidas, em São Paulo.

Cuide também das condições da água. Além de observar a filtragem e a temperatura, o pH — o grau de acidez e alcalinidade — deve ser adequado às espécies que você escolheu. Uma regra simples vale para qualquer uma: na hora de limpar, não precisa retirar o peixe nem substituir toda a água. "Troque apenas 15% do volume uma vez por semana para não modificar de forma abrupta o ambiente a que ele já se acostumou", ensina o aquarista Ricardo Assunção, da Associação de Aquariofilia do Brasil, no Rio de Janeiro. Quanto à ração, "ofereça duas vezes ao dia, em uma quantidade que possa ser consumida em dois minutos para evitar acúmulo de matéria orgânica", explica o biólogo Gustavo Adolpho Santos, da loja Ecomarine, em São Paulo.

A verdade é que, mesmo recebendo esses cuidados básicos, o peixe pode ficar doente. Alterações nas nadadeiras, pele sem brilho, lesões nas escamas ou nos olhos, pouca movimentação e uma longa permanência no fundo do aquário são sinais de problema (veja o quadro acima). Então, é bom ter olhos atentos — e não apenas contemplativos.

Doenças comuns
Boas lojas funcionam como consultórios. Leve o peixe enfermo e siga as orientações de tratamento
• Ictiose - Provoca dificuldade respiratória e pontos brancos nas escamas.
• Costiose - Causa manchas nas nadadeiras e perda de apetite.
• Olhos embaçados - Ou, ainda, com manchas brancas. Em geral a doença é provocada por parasitas, mas pode estar associada a fungos ou bactérias na água.
• Doença do algodão - Produz manchas brancas e perda de escamas.
• Fungo na boca - Causa uma lesão no local.
• Doença do veludo - Caracterizada por perda de apetite, de coordenação e dificuldade respiratória.
• Septicemia - É uma infecção generalizada. O jeito apático do peixe pode indicar o quadro, mas só um especialista é capaz de confirmar a suspeita.
• Tuberculose - A barriga fica com aspecto ressecado por causa da desidratação.

SETEMBRO 2005

O peixe doente deve ser isolado em outro aquário. Assim ele pode receber a medicação em gotas, sem prejuízo para os companheiros
 
 
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