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Bichos MATÉRIAS

Enferrujou!

Se o seu cão já não dá mais pulos de alegria quando você chega em casa ou fica arredio quando o chama para passear, fique atento. Ele pode estar com dor nas articulações.

por Beth Fernandes

Identificar a encrenca é simples até mesmo para o mais desatento dos donos. Sinais importantes: o bicho começa a mancar e mostra dificuldade para correr ou transpor obstáculos. Mais comuns do que se imagina, os problemas articulares tanto podem se manifestar na mais tenra idade como surgir apenas com o passar do tempo. Se não forem tratados corretamente, não raro evoluem para artrite e até artrose. Em ambos os casos, a dor e o desconforto são de dar dó. Quais seriam as causas? "Há casos em que o mal é hereditário", explica o veterinário Fernando Ibañez, professor de cirurgia e anestesiologia das Faculdades Metropolitanas Unidas, em São Paulo. Mas alguns fatores podem levar um cão, sem nenhuma herança genética, a ter complicações articulares. A obesidade é capaz de detonar o problema, assim como certos hábitos — escalar móveis ou mesmo andar em pisos lisos. "Em geral as articulações mais atingidas são as dos joelhos (nas patas traseiras), dos cotovelos (nas dianteiras), dos quadris e dos ombros".

Até mesmo animais de pequeno porte estão sujeitos a essas doenças, mas há raças mais vulneráveis do que outras. Tudo piora com a artrite, uma inflamação decorrente do mau posicionamento da junta, aquele ponto em que um osso se encontra com outro. Se ela se torna crônica, a coisa se complica de vez. É que aí tem início um processo de degeneração da articulação — a artrose, irreversível. Por isso, na fase inicial o tratamento clínico é fundamental. "Antiinflamatórios, protetores articulares, analgésicos, acupuntura e fisioterapia são algumas das alternativas para reduzir a inflamação e diminuir a dor", explica a veterinária especializada em acupuntura Elisabete Shimizu, de São Paulo. Nos casos mais graves, tanto de artrite quanto de artrose, a cirurgia é a melhor solução. "Costuma-se cortar a superfície comprometida do osso, colocar uma prótese ou remover os nervos da região afetada para bloquear a dor", conta o cirurgião veterinário Anderson Coutinho, da Universidade Metodista de São Paulo.

Cirurgia mais segura
Cães com artrose não costumam escapar do bisturi, já que, neles, o tratamento clínico não surte muito efeito. Claro, se o animal for idoso, será preciso avaliar seu estado geral antes. "Hoje em dia as anestesias são seguras e, se estiver tudo o.k. com a saúde do animal, não há problema em operar", tranqüiliza a veterinária especializada em geriatria Mirella Tinucci, da Universidade Estadual de São Paulo em Jabuticabal, interior paulista. Quando a cirurgia é desaconselhada, o jeito é lançar mão de analgésicos e poupar o bicho de exercícios físicos intensos. Virou lugar-comum ressaltar a importância do diagnóstico precoce, mas nunca é demais repetir: ao menor sintoma de dor articular, procure o veterinário. "Assim você assegura ao seu cão uma vida plena e saudável", avisa Ibañez.  

Vítimas em potencial
A propensão de cada raça

Porte

Raça

Problema freqüente

Pequeno Poodle toy, maltês,
yorkshire, pincher
Luxação de
patela (joelho)
Médio Daschound,
beagle, poodle,
cocker
Desgaste
natural
da coluna
Grande e
gigante
Pastor alemão,
golden retriever,
rotweiller,
labrador, pitbull,
fila, dálmata
Displasia coxofemoral
(quadris) e
osteocondrite
dissecante (ombro,
cotovelo e joelho)

Agosto 2005

Siga as pistas da dor
• Ele manca
• Não apóia uma das patas no chão
• Anda saltitando, como se pisasse em brasas
• Evita correr, passear ou pular
• Chora quando você o pega no colo
• Fica mais agressivo sem motivo
• Não quer s
 
 
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