Dieta dos pontos Leia, use, aprenda a comer de tudo e emagreça de vez (com muito prazer!)
Tamanha competência só tende a crescer. É que os cientistas apostam suas fichas no aprimoramento das bactérias benfazejas, chamadas de probióticas. "Submetemos várias espécies delas a um processo de seleção em que só as mais eficientes são aproveitadas", explica a química Alda Lerayer, do Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL), em Campinas, no interior paulista, tida como uma das maiores autoridades do assunto no Brasil.
Para mudar de status e atingir um patamar superior ao dos seus pares, já famosos em leites fermentados e afins, os supermicróbios têm que passar, ilesos e em maior número, pelos corrosivos ácidos do estômago — uma verdadeira prova de fogo mesmo para seres tão poderosos. E é a análise das fezes, em geral de cobaias, que aponta quais bactérias conseguiram chegar praticamente intocadas ao intestino. Essa elite vitoriosa promete ser a nova geração de probióticos.
As pesquisas não se contentam em pinçar superbactérias. Os cientistas também querem ampliar o leque de opções de alimentos enriquecidos com elas. Além dos produtos lácteos que hoje povoam as gôndolas de supermercados, logo, logo teremos desde chocolate e sorvete, até barras de cereais, maionese e margarina. "Na Europa e na Ásia já é possível encontrar esses itens enriquecidos com bactérias", diz Alda. "Aqui no Brasil algumas empresas seguem nessa mesma direção." A pesquisadora falou sobre essa tendência no Congresso Brasileiro de Nutrição Integrada, que aconteceu no mês passado em São Paulo. No Japão, quem diria, já existe até chiclete com probióticos. Já pensou em mascar uma bacteriazinha?
Imaginar que ainda vai chegar o dia em que aquela irresistível barra de chocolate estará cheia de bactérias talvez não a torne tão... irresistível assim. Sossegue. Esses micróbios não costumam alterar o gosto dos alimentos. Muito pelo contrário. Foi justamente para controlar a acidez de queijos e iogurtes que eles começaram a ser usados. Só depois, por acaso, foi que se descobriu que os probióticos eram grandes aliados da nossa saúde.
Qual a dose ideal?
Hoje, embora os especialistas concordem que esse time de bactérias está cheio de qualidades, ainda não há consenso em relação à quantidade que deve ser ingerida para obter benefícios. Segundo o nutrólogo Celso Cukier, do Instituto de Metabolismo e Nutrição, que fica na capital paulista, "ainda é cedo para estabelecer uma quota por falta de trabalhos científicos".
Para a química Alda Lerayer, do Ital, o importante é consumir esses alimentos todos os dias e, se for em jejum, melhor ainda — "assim as bactérias têm a chance de chegar ao intestino sozinhas, sem a interferência de outras substâncias", justifica. A farmacêutica bioquímica Susana Saad, da Universidade de São Paulo, também defende a recomendação de ingerir alimentos lotados de probióticos todo santo dia. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra, a nutricionista Isabela Cardoso, do Hospital do Coração, em São Paulo, acha que o consumo regular, pelo menos quatro vezes por semana, já é suficiente. E frisa: "É importante verificar no rótulo desses alimentos o total de gorduras, açúcar e calorias". Não vale se encantar pela presença das superbactérias e se esquecer do velho e bom conselho de preferir produtos magros. Afinal, ainda que as probióticas sejam o máximo, ninguém quer acumular gordura.
Leia no rótulo
Se você encontrar na embalagem dos produtos um ou mais dos nomes abaixo, pode comprar sem susto
| Gênero | Espécie |
| Bifidobacterium ou bifidobactérias | adolescentis, bifidum, breve, infantis longum, animalis, danregularis |
| Lactobacillus ou lactobacilos | acidophilus, casei, paracasei, rhamnosus |
| Propionibactérias | freudenreichii |
Em plena ação
As bactérias probióticas trabalham arduamente em prol da sua saúde
1. No intestino
"A maioria das probióticas é capaz de competir com microorganismos causadores de doenças e, por isso, podem combater a diarréia", explica o nutrológo Mauro Fisberg, da Universidade Federal de São Paulo. Com efeito contrário, também existem bactérias do bem que dão um jeito na constipação. "Elas liberam certos ácidos graxos de cadeia curta que facilitam o trânsito intestinal", diz Celso Cukier.
2. Contra o câncer
A química Alda Lerayer conta que as bactérias probióticas provocam a morte, por asfixia, das células anormais. Por isso, diminuem o risco de formação de tumores, "É como se espremessem essas células até elas ficarem completamente destruídas", descreve. Além disso, produzem os tais ácidos graxos de cadeia curta, que são capazes de reparar danos na parede do intestino.
3. No sistema imune
Elas também participam da produção das imunoglobulinas, moléculas liberadas pelas células de defesa para combater invasores nocivos. Vale salientar ainda que, se o intestino funciona direito, os nutrientes tendem a ser mais bem absorvidos e, assim, por tabela, o sistema imunológico funciona melhor, a todo vapor. "Quanto mais eficiente o aproveitamento de minerais, menor a chance de infecções", garante a nutricionista Isabela Cardoso.
Um grupo à parte
Não só as probióticas fazem bonito. Outras bactérias também se revelam importantes para um organismo saudável. Elas não alcançam o intestino, por isso não podem ser classificadas como próbióticas. Estamos falando da Streptococcus thermophilus, por exemplo, e de outros tipinhos que entram na composição de produtos lácteos e se alimentam de proteínas e da lactose, o açúcar do leite. Além de conferir sabor e textura a iogurtes e queijos (aliás, os furos do tipo suíço são responsabilidade delas), essas bactérias produzem vitaminas, como o ácido fólico e a B12. "Elas também fabricam um tipo de fibra solúvel que beneficia o intestino", conta Alda Lerayer.

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