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A quantas você anda?

Não freqüentar academia não significa ser sedentário. O simples fato de levantar o bumbum da poltrona e mexer o corpo com as atividades do cotidiano pode ser um exercício e tanto

por Thais Szegö | fotos Omar Paixão

Todo especialista aponta o dedo em riste para o sedentarismo. Ele é um dos principais culpados por males como obesidade, colesterol alto e diabete. E a atividade física sem dúvida é um bom antídoto contra tudo isso. Os que se cansam só ao pensar em enfrentar uma esteira ou uma série interminável de flexões e abdominais, claro, ficam com dor na consciência. É o seu caso? Sossegue. Não precisa tanto para dar adeus ao título, nem um pouco honroso, de sedentário.

Mudanças no dia-a-dia podem fazê-lo escapar do rótulo. Basta, por exemplo, deixar o carro na garagem na hora de ir até a banca de jornais mais próxima ou esquecer o controle remoto quando quiser mudar o canal da televisão. A ordem, portanto, é se movimentar. A confusão que precisa ser desfeita logo de cara é a seguinte: ser um indivíduo ativo não significa necessariamente ter condicionamento físico. Sair andando para dar conta das tarefas corriqueiras não substitui a ginástica, mas ajuda à beça a saúde. Já é alguma coisa, um primeiro passo. E, por falar em passadas, quantas você teria de dar diariamente para ficar longe do sedentarismo?

Convidamos quatro leitores com profissões e rotinas bem diferentes para adotarem um pedômetro um aparelho que, preso à cintura, funciona como um verdadeiro dedo-duro, pois entrega o número de passos. Eles usaram o equipamento durante cinco dias. Dê uma olhada em cada uma das fotos que aparecem lá em cima e faça a sua aposta: qual dos nossos leitores caminha mais em seu dia-a-dia? A resposta você confere nas próximas páginas.

O ideal? 10 mil passos por dia!
Sim, 10 mil. Esse é o número de passadas que um indivíduo precisa dar diariamente para não ser considerado sedentário. E mesmo quem chega lá não deve se dar por satisfeito. "Isso é o mínimo. Quanto maior a quantidade de passos e a diversidade de atividades físicas que a pessoa pratica, maiores serão os benefícios e mais distante ela estará do sedentarismo", afirma o professor de educação física Luis Carlos de Oliveira, do Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul (Celafiscs), em São Paulo. Ele, porém, aponta algumas limitações do pedômetro: "O aparelho não contabiliza o deslocamento de braços, tronco e até mesmo outros movimentos realizados pelas pernas", nota. Mas, sem dúvida, o teste com esse tipo de equipamento estimula a reflexão sobre a quantas andam nossos movimentos. E isso por si só é ótimo.

Com vocês, o pedômetro
Saiba mais sobre o aparelho

Ele tem o tamanho de um bip e possui sensores que, por meio das oscilações provocadas pelo movimento dos quadris, contabiliza o número de passos. É encontrado em lojas de materiais ortopédicos ou de acessórios esportivos por cerca de 40 reais.

Mas há modelos incrementados com rádio e até cronômetro. Sem falar nos que calculam o gasto calórico e a distância percorrida. Por causa desses extras, alguns chegam a custar 130 reais.

O campeão das passadas
A rotina de Cleiton dos Santos, este paulista de 33 anos, é de tirar o fôlego. Ele passa as manhãs em uma academia de São Paulo, onde supervisiona o departamento de musculação. À tarde vai para outra academia dar aulas de jiu-jítsu e fazer seu próprio treino dessa arte marcial. Quando escurece, o moço pratica judô. E à noite ainda atua como personal trainer em domicílio. Entre uma atividade e outra, corre na esteira e dá braçadas na piscina. Para dar conta de tanta atividade, só se locomove de carro. Ele pode se dar a esse luxo. "Enquanto estou trabalhando, ando muito pra lá e pra cá", conta.

Em segundo lugar...
Se a gente levasse em conta apenas a vida profissional do psicólogo e acupunturista paulistano Alexandre Chut, de 38 anos, podia até jurar que ele é um sedentário inveterado. Principalmente agora que passa horas a fio estudando para uma prova que fará na China. Puro engano. Alexandre anda pra valer. "Eu acompanho cada paciente da porta do consultório até a minha sala, que fica no segundo andar", conta. Além disso, anda 15 quadras, três vezes por semana, para visitar a mãe, e três quarteirões, com a mesma freqüência, para ir ao banco. Parece pouco, mas fez enorme diferença para Chut alcançar a média de 15 mil passos.

medalha de bronze para...
A comerciante Isabela Schulz é dona de duas lojas de chocolate na capital paulista. As manhãs são dedicadas ao filho, que ela costuma levar ao parque. A pé. À tarde se dirige às lojas, mas sempre de carro. "E eu bem que desconfiava que não me mexia muito", suspira. O que realmente a ajudou a alcançar os 7 mil de média: ela é outra que só vai ao banco a pé. "São duas quadras na ida duas na volta", contabiliza. Resta saber se, agora que tem certeza de que não anda o suficiente, o resultado do teste servirá como motivação para uma mudança de hábito.

E na lanterninha...
A paulistana Rosangela Nakahara é escrevente técnica judiciária num fórum da capital paulista. "De manhã faço 15 minutos de alongamento. Depois disso, já no escritório, só me levanto para ver um processo no armário, levá-lo ao balcão ou ao xerox", diz. Para ir ao trabalho Rosangela pega metrô. "Até a estação ando cinco quadras. Do ponto final ao fórum, caminho mais uma. Almoço em um restaurante na mesma rua e, uma vez por semana, vou ao banco a pé", diz, relatando sua rotina. Duas vezes por semana ela caminha um pouco mais, porque resolveu fazer um curso e vai para a aula andando. Bem, não podemos negar a contribuição da ida semanal ao cabeleleiro de novo, a pé.

Maio 2005

Isabela Schulz, comerciante, 32 anos.
Alexandre Chut, acupunturista e psicólogo, 39 anos,
Rosangela Nakahara, escrevente técnica judiciária, 38 anos,
Cleiton dos Santos, professor de educação física, 33 anos
 
 
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